Cigana
Há em toda mulher os cabelos soltos revoando ao vento, pés descalços
palmilhando grãos de areia no deserto,
coração de andarilha e de aventuras.
Há em toda mulher o gosto particular pela liberdade, dessas
que num tem dono, nem marido, nem filho, nem enraizamento nesse mundo.
Por destino a dança solta nos braços de quem se apresentar,
por companhia os que seguem de mãos dadas até o próximo porto. No caminho
amigos e amigas, irmãos e toda gente que se junta pra se separar logo adiante.
O aprender está no movimento, na inconstância, no exercício diário
e permanente do desapego, no fluir pela impermanência das relações.
É não ter casa para voltar e se houver algum lar, ninguém à espera
na mesa de jantar. E amanhã? uma nova estrada sem data de volta.
Há sempre uma cigana no coração de uma mulher, saias em rodopio, pulseiras, perfumes e sedução.
Fogueiras incandescentes na escura noite fria, estrelas guiando o destino e a mais bela dança pelo simples prazer da música.
A vida é cigana, deixa ela dançar.

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