Respostas



A caminhante buscou o caminho que levava ao sol, o chão era firme, a estrada tinha poucas curvas, via-se com facilidade o vilarejo que se anunciava no horizonte.

Coração e mente estavam divididos sobre qual deveria ser o próximo passo, seguir sem olhar os nuances do caminho ou andar com vagar olhando os pássaros, ainda que a noite estivesse vindo rapidamente? Com qual compasso e intensidade se deveria seguir?

A mente intrépida afirmou com convicção, se despeça, silencie a dor do caminhar solitário e vá, a noite vai chegar e ainda há tanto a se desfrutar no cair da tarde... Não se demore.

Mas também havia um coração que se quedou de joelhos, o rosto tocou a terra e uma lágrima caiu quando o cheiro de mato invadiu as narinas, as mãos se sujaram de terra molhada, e veio a dor de deixar na poeira da estrada uma história tão bonita, quanto dolorida. Não queria partir.

Foi então que os raios de sol, doces e acolhedores, iluminaram cada parte do seu corpo. A grande fonte de luz ofereceu uma mão como amparo e guia, era preciso que se levantasse e estivesse inteira, dor e lucidez, intensidade e ritmo, silêncio e verbo, compaixão e força.

Colocou-se lentamente de pé e as respostas chegaram, ainda escorria uma lágrima no rosto, mas junto vinha a certeza de que se tornara uma mulher e que para brincar nas festas do vilarejo, plantar e colher nos campos da cidade não poderia carregar homens ameninados ao seu lado, tinha que estar inteiro, com a certeza de que era ali que queria estar.

E entre o coração que já fora um acovardado amedrontado, o verbo ríspido que já magoara sem compaixão, se ergueu essa mulher de riso aberto, de alma serena, mãos fortes e imensa luz. Ao seu lado um grande homem, parceiro de vida.

Entraram felizes na casa que tinha flores na varanda. O sol se punha. Lar, doce lar.

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