Band-aid

 

Às vezes, tomamos da vida curativos para as nossas pequenas feridas, dores que poderíamos tratar corajosamente com a luz do sol, com os unguentos, com o assoprar da ardência.  Por certo, a cura poderia chegar lenta, exigindo paciência e atenção. Olhar a causa, evitar os caminhos que provocaram os arranhões.

Mas é tão mais fácil colocar um curativo, esconder a ferida, amenizar momentaneamente a dor, sem se dar conta que o machucado não olhado pode estar se ampliando, tomando raízes no nosso corpo.

Nos acostumamos a caminhar com remendos, band-aids, suturas que vão  aderindo, moldando e se transformando em nossa segunda pele.

Até que um dia temos vontade de olhar o nosso corpo, inteiro, sem máscaras, sem paliativos aderidos e já não sabemos como tirar o curativo sem esfoliar a própria pele.

Arrancar do corpo o adesivo aguerrido que não se deseja mais é tarefa para quem quer crescer. Respirar fundo e agir firme sem hesitação.

É revelar com as próprias mãos quem a gente se tornou. É reconhecer que o band-aid deixou marcas e feridas abertas.

Os meninos correrão para as mães pedindo colo e assopros.

Os homens corajosamente reconhecerão a pele inflamada, a profundidade dos ferimentos e aos poucos irão construir as próprias cicatrizes com auto cuidado e amor.

Marcas do que se viveu. 


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