Foi para amar, que parti...



 
"das coisas que me orgulham muito: carregar comigo o peso e a leveza das minhas escolhas. A mulher que me tornei é mérito das vezes que tive de ir, mesmo querendo ficar; e das vezes que fiquei, quando na verdade eu deveria ter ido" (Bibiana Benites)

E então coloquei o pé na estrada, sem certezas, coração dividido entre os que ficaram no caminho e os que nunca vieram. Mas os meus pés estavam firmes no chão, sentia a força da terra pulsando abaixo dos meus passos tímidos e miúdos.

Lembro que uma lágrima de dor e mágoa escorreu por entre a areia fina que o vento soprava no meu rosto. Talvez tenham sido duas, três ou mesmo um tanto mais. Por certo havia um soluço embotado no meu peito, quisera ficar mas sabia que precisava ir. 

Do futuro, apenas a convicção de que o tempo me esperava ao fim da curva,  que caminhar para frente era meu destino, sem certezas, sem planos desenhados, só seguir, só partir.

Partir para amar... amar e ser amada.

Não sei se houve choro, risadas, indiferença ou arrependimentos, na minha bolsa eu já levava o suficiente de mim, não queria pesos demasiados além da minha própria história.

Nem por um segundo olhei para trás. Foi mais um passo no agora.

No horizonte cores variadas, luz e brilho, um céu cheio das promessas dos sonhos que eu ainda nem sonhei.

Por hora um só desejo nessa solitária caminhada, seguir, partir.

Para amar e ser amada.



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