O Sapo

 

Talvez a maior dor das princesas é se dar conta de que era de fato... um sapo. Eu te amos ditos sem lastro, construções mirabolantes, sofisticados sofismas, tramas de alta complexidade para ocultar  e justificar a singeleza e simplicidade de que afinal, o príncipe não chegou. Ilusão. 

Parece amor, parece eterno, parece real, parece entrega de corpo e alma, parece verdade.

Quem foi que mentiu? o rapaz desajeitado gorjeando vantagens, insinuando promessas, simulando dúvidas e dramas de consciência? ou terá sido a donzela, fingindo satisfação com o pouco recebido, dissimulando necessidades intimas, inventando fantasias, construindo um homem que nunca existiu?

Talvez se tivessem se olhado sem as máscaras das conveniências, se tivessem se entregado sem reservas, sem divisões e dubiedades, com a coragem de quem corre riscos por escolher crescer e amar, haveria uma chance para o amor. Homem e mulher inteiros, príncipe e princesa, final feliz.

Mas ela num tinha olhos de esperança de princesa, e ele coaxava barulhento feito um sapo. 

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