O livro
Poderia falar das estradas que percorri - poeira, areia, ventos e os Brasis ou descrever o mais inusitado caboclo que me cruzou o caminho. Não, não! um livro precisa de enredo, uma vontade a manifestar, um objeto, um sentido.
Huuuum um livro. Talvez transitar sobre os labirintos e desencontros do amor, suspirar pelos finais felizes que afinal também acontecem todos os dias. Não, não! Teria de haver príncipe e princesa. E eu só quero escrever um livro.
Quem sabe os mergulhos na alma feminina, suas dores, contradições e os desejos secretos de luxuria e liberdade. Não, não! No livro todos esperariam por um noivo e noiva e filhos.
Talvez o sentido esteja no conhecer o coração dos homens, alguns eternos meninos, outros velhos dementes. Mas seria preciso buscar equilíbrio... no livro.
Agora sim: Era uma vez.... política, religião, talvez descrever a paixão dos que creem e não veem.
Pode ter rima? Nesse caso é poesia!
O livro. Há de ter dedicatória: "Aos leitores queridos do livro que jamais escrevi".

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