Silêncio

 


Chega um tempo em que tudo já foi dito, não há sequer uma vírgula a se acrescentar, nem exclamação ou interrogações a serem expressas. É tempo de silêncio, do calar a gritaria da mente e as aflições do ego.

Esgotaram-se as possibilidades de discursos de conciliação, de explicações e teses sobre como foi, as certezas e inseguranças.

Chega um tempo em que tudo já foi dito, todas as sementes foram jorradas no solo e somente o tempo dirá se a semeadura foi em terra fértil ou entre áridos espinhos. Ao lavrador cabe apenas a serenidade do dever cumprido, o descansar o corpo na cadeira de balanço em cochilo repousante e atento. No mais absoluto silêncio.

Talvez seja possível ouvir os pássaros cantarolando alegres e conversas agitadas no quintal ao lado, vozes do mundo querendo explicações, contra argumentos, significados outros para aquilo que é absoluto em si.

Nada mais precisa ser dito, tudo foi e é exatamente como a luz do sol desnudou. Tudo já É. 

E nesse novo tempo há paz nos primeiros brotos que surgem no meio do roçado, há paz na terra árida que apenas devorou as sementes, há paz no rosto suado de quem sujou as mãos de terra.

Não há amor maior do que esse tempo e lugar de silêncio.  

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