Perdão
Perdão não é algo que se oferte,
que exija reparação, que espere que feridas sejam cuidadas por alguém. Não está
fora, não está em gestos, não espera aplausos, não significa bondade ou
abnegação. Não está no outro. É quase um silêncio interno, sereno e calmo.
Perdão acontece quando mesmo que
existam dores, não há julgamento, não há dívidas, não há nada que precisa ser
dito ou feito, não há culpados. É como apreciar uma deliciosa taça de vinho
numa noite de lua cheia, olhos cerrados, música suave, brisa no rosto, tudo
está aonde devia estar, do que jeito que é e do jeito que foi.
Perdão é um respirar profundo, o
ar entrando pela boca, seguindo pelos pulmões, passando pelo coração, chegando
até o ponto mais fundo do nosso ventre, e então tudo vai sendo limpo,
dissolvido, esquecido. Talvez uma lágrima escorra sorrateiramente, lágrima de amor,
profundo amor por si mesmo, pela vida, pela alegria de seguir sem peso, sem dívida,
sem cobranças.
Perdão é autocuidado, é libertação!

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